O poeta não precisa do silêncio ( para Daniel Delatin)

Nem da guerra fria

Nem dos gritos sufocados

Nem do minuto

Nem da pausa

Nem do gesto que antecede o luto

O poeta não precisa de paz

Não precisa de lastro

Não precisa de nenhuma substância inflamável

Para arder em brasa e

Ir e voltar

Das cinzas

Diariamente

O poeta não precisa de chão

Não precisa de asas

Não precisa de animais de estimação

O poeta é impreciso

Incauto

Irracional

O poeta não colhe flores

Não frequenta funerais

Só estará presente naquele último sepultamento

De si mesmo.

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